Um sonho cheio de detalhes líricos: a neve que não esfria, os traços azuis na arquitetura romântica, os sorrisos e lágrimas que não mancham a maquiagem, o mundo onde todos tem a chance, dentro da tristeza, de serem felizes por um momento eterno. Ela não encontrava seu momento eterno, mas sonhava a todo tempo.
Um dia ela disse a seu amigo que ele jamais se arrependeria de suas lembranças. Por um momento ele a teve plenamente. Por mais que aquele momento não fosse perfeito, por mais que logo depois todo o sonho se destruiria e viria a maior dor do mundo, ele a teve. E isso, meus caros, isso não se apaga. O momento eterno. O momento em que o amor é real e sem limites. Eterno.
Mas ela chorava por saber que nunca teria este momento somente para si. Chorava por saber que aquele outro jamais seria dela daquela forma, que jamais tinha sido. Não tiveram nenhuma noite em que levaram as conseqüências até o que seria um momento eterno. Não conseguiram se entregar a um simples olhar o qual pudessem dizer que era seu momento, sem jamais ter de relembrá-lo, sabendo estar guardado por certo. Tudo o que viveram, não deixaram ser eterno.
E o que é que havia os impedido, os separado? Nada mais parecia fazer sentido. Ela via os outros ao seu redor, vivendo momentos eternos pelos quais chorariam noites. E ela chorava por não ter tido este momento.
Um sonho cheio de detalhes líricos: o vento esfriava, o mundo ficou escuro e feio, não conseguia ver nada direito e a maquiagem estava borrada. Sem chance, dentro da tristeza, somente sentia um vazio com o qual teria de aprender a viver. Nenhum momento eterno jamais teria para si. Que vida era essa, perdida na falta de eternidade?
O circo inovador e contemporâneo faz 25 anos este ano. E eu não sei quando que eu comecei a ver os espetáculos na HBO. Nem lembro o que me encantou primeiro. Mas, para mim, o circo e toda sua aura misteriosa e mágica adquiriu um sentido absurdo no primeiro vídeo que vi.