E quem não quer se sentir bonita/o? Quem não gosta de um elogio? E os muitos que se envergonham com o elogio? Mas até que ponto o elogio é real? Até que ponto a beleza se faz perfeita? E estamos, sim senhores, falando da beleza externa!

A beleza mais bonita é a sincera. O momento que não nos cobrimos de tentativas de eliminar os defeitos, que deixamos a maquiagem somente para dias especiais. A beleza que se descobre nas rugas, no sorriso torto. Não é deixar de se cuidar, mas se cuidar para que de cara lavada se sinta bem, se sinta bela, se sinta belo. Aquela beleza sincera consigo mesma, de olhar no espelho e poder aceitar que você é assim, sim, e que isto te faz bela, te faz belo.

O elogio mais válido é o sincero. De que vale a palavra na frase do elogio se ela elimina todos os defeitos do elogiado? Elogiar uma beleza natural é aceitar os defeitos, não eliminá-los. É dizer “seus traços são lindos, apesar das cicatrizes”, “seu corpo é belo, apesar dos pneuzinhos”. É dizer que se aceita os defeitos dentro da beleza completa, e não ignorá-los. “Olha, ela tem olheiras e espinhas! Mas isso não a deixa feia, são somente alguns defeitos que fazem parte dela” ao invés de “Ah, se você pensá-la sem as olheiras e espinhas ela é perfeita”. Perfeição não existe, existe beleza com defeitos aceitáveis na medida do entendimento do que é natural, real. E se perguntarem, diga, isso é bom, aquilo é ruim, mas é normal. Mas diga os defeitos também, precisamos nos aceitar como somos de uma vez por todas!

A beleza mais bonita é o defeito. Nele se encontram as experiências, o dia-a-dia, a genética, os erros. Nas olheiras as marcas de luta, de sofrimento, existentes em qualquer ser humano. Na ruga as marcas da experiência: se viveu demais e deixou marcas, ao menos viveu. Nos traços tortos as marcas da família ou de um acidente, nem tudo precisa ser perfeito para ser aceitável, para ser belo. Sejamos belos em nossos defeitos.

A beleza mais bonita é a sincera. O elogio mais válido é o sincero. A beleza mais bonita é o defeito. O defeito é sincero, o elogio mais válido é o defeito. A perfeição, no fim, é a sinceridade e o defeito.

[1 / 2. Da série: Beleza Humana]