Ele não era amado.
Ao menos não por todas como gostaria.
Muito menos invejado.
Por nenhum.
Sofria um complexo de Freud,
queria tudo explicar.
(E quem não quer?)
A noitinha, em seu quarto, pensava olhando para o teto branco e casto.
Nada casto o pensamento,
sem linha de direção.
Não sabia andar sem olhar para trás.
Às vezes não olhava pra frente.
Talvez por isso se arrependesse,
de tanto cair amassou o rosto, o ego e seu desencontro de si.
Perdido sempre,
achado nunca.
E os horizontes pareciam um fim tendendo à queda.
(Hoje não vejo mais horizontes nessa selva concreta).
Concretos eram seus planos.
Tinha papel e tinta.

Não era belo.
Não era feio.
Tinha manias irrecuperáveis.

Entre elas, a de morrer uma vez na vida.