(posts em série. Série Palavras 1, 2)

As palavras falam (ó, jura pequena pulga?). Sim. Falam. E não é bem isso que você pensou que eu quis dizer. O som das palavras falam por elas mesmas. Tá, nem sempre, mas quase sempre. O som resume em si a síntese da significação da palavra. É praticamente a essência do porque o significado faz sentido com o significante… o mais assustador é que isso aconteceu de forma, ao que tudo indica, arbitrária. Medo. Medo e Paixão. Ah, eu realmente estou na faculdade certa!

Vamos usar exemplos, fica mais fácil. “Pedra”. “Pedra”, em si, parece ser uma palavra rude, grossa, áspera, assim como o objeto o qual ela denomina: a pedra. Começamos com o /p/, cujo som praticamente já explode nos lábios que pronunciam a palavra. Continua-se com o /d/, seco e rápido e extendendo-se com o /r/ (tá, o fonema é outro, mas poupe-me, né? férias…) que finaliza com a áspereza (há!) da palavra. Poderia extender esse exemplo com palavra que eu usei aqui mesmo, como “áspero”, “seco”, “rude”. Mas acho que essa parte mais “má” da língua vocês já entenderam…

Tem palavras que fazem o contrário em questão de significado: “fluidez”. A palavra flui em si mesma, parece perfeito (ah, não, É perfeito). O /f/, /l/ e /s/ no final acabam emendando um no outro a pronúncia fica fluída, fácil, calma. Fluidez.

Ainda tem outras mais engraçadinhas, como “fofa”, que parece que a cada sílaba apertamos a bochecha da palavra: fo-fa. ó! E a lista continua… “paixão” parece tão arrebatadora quanto o sentimento, “bola” já parece uma palavra redonda, “nada”, bom, nada é nada!

E incrível como cada um destes sons se controem em conjunto quando articulados em uma mesma sentença, provocando a inexplicavel sensação de que, mais uma vez, as palavras certas explicam tudo. Ou quase tudo.