Sentia saudades imensas na primeira semana, mas eram altamente suportáveis. A felicidade não se esbarrava nas esquinas do meu coração, mas a falta se fazia notável. Pude seguir meus dias como outros quaisquer, pude sorrir, ser feliz, cantar, gritar, beber, sair.

Mas depois o caso foi mudando. De repente senti uma necessidade enorme de ver nada mais além do seu rosto, para perceber – de verdade – que nada tinha sido sonho. Para não acordar, talvez. Com as vantagens tecnológicas pude tirar o atraso da memória e registrar um sorriso de alívio em minha mente.

Mas as coisas mudaram. Ver seu rosto, ouvir sua voz, não mais me agradavam. Queria tocar. Abraçar. Beijar. A insatisfação crescente tornou-se um cancer em minha felicidade e logo me vi derretida em lágrimas, esperando os dias passarem. As saudades fizeram sentido, pela primeira vez. E as lágrimas limparam meu olhar. Pude ver.

Ver o sentimento sincero, puro, do qual esperávamos brotar dúvidas e talvez um fim, mas vimos nascer a mais bela flor da certeza. Sinceramente certa. Certa enquanto eu respirar. Certa e prometida a ser verdadeira. Vi e, então, em um momento distante, descobri.

Descobri o amor, a tristeza, a saudade, o carinho. Descobri a dor de amar completamente e saber que esse amor gigante só é compreendido em parte. O sentimento não flui de mim, é divino, mas dentro de mim se direciona a ele. A ele, que fluimos tão bem juntos. Descobri que as coisas podem ser maiores, mais certas, concretas. A intangibilidade da certeza bem aqui, em minha mão. A escorregar entre meus dedos, percorrendo cada centímetro de pele, e grudando no meu ser como o único piche que permite a vida. Descobri ele.

Fui dormir com a mão no coração, esperando a destruição certa das saudades explosivas de dois amantes afastados. Mas prometi ser feliz, prometi poder ter calma, prometi sorrir e acordar todo dia disposta. E ainda por cima, sei que Deus vai transformar o restante nos 21 dias em que mais aprenderei em toda minha vida. Prometi, e cumprirei.

Na cama virei de um lado para o outro, sentido a falta de mais uma respiração. Tudo parecia vazio, ainda mais quando a lembrança do apertado é tão confortável. Demorei a entender que precisava dormir, e descansar. Tinha descoberto o mundo dentro de mim. Tinha descoberto outras coisas, no mesmo dia, como o amor sem porque de um tal de Deus. E, descobrindo isso, descobri que dentro de mim havia, já, uma reprodução deste sentimento que nada quer em troca e ama deliberadamente.

Na cama, não descansei. Senti a falta dele. O calor abafado pertubava cada vez mais e, irritada, joguei o lençol no chão. É muita coisa em uma só mente, precisava de ar.

Descoberta consegui dormir, acalmando dentro de mim o Pedro Álvares Cabral.

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SSA, BA. IPL 2009. volto em fevereiro, caros.