Havia tantos assuntos anotados para sentar e escrever no papel. Dividir com os amigos, com os desconhecidos, com seu amor. Dividir com o mundo, assuntos dispersos, inimportantes e de extrema essencialidade. Tantos assuntos. Mas cansado de mágoas, esqueceu cada um dos assuntos. Não queria mais as lágrimas que eram devidas àquele momento. Foi olhar o céu – um hobby tão admirado por outros que mal sabiam que ele nada entendia de lua e estrelas. Mas era algo que gostava de fazer. O mundo parecia mais palpável. Mais… dispensável. E tudo parecia maior e mais significante fora dali. Olhar o céu a noite era uma forma de se contextualizar em sua vida sem contexto.
Poluição era comum – estava acostumado com no máximo 7 estrelinhas. Fortes que, apesar de toda maldade humana contra a natureza, cruzavam a barreira do erro e apareciam no céu da metrópole. Algumas estrelinhas de tamanho imensurável pelo simples observador. As nuvens eram esperadas. Sempre que queria ver o céu, o céu estava coberto. Era como maldição, mas parecia somente um detalhe a parte, costume do céu naquelas horas. Mania.
Aguardava seus dois companheiros – poluição e nuvem – e também as estrelas campeãs. Abriu a janela. Nenhuma estrela. Nenhuma Nuvem. Muita poluição. Uma lua nova.
De repente tudo se fez mais claro do que a luz do Sol. A Lua fez mais significado do que tinha feito anos antes para sua vida tão pequena diante da imensidão de um simples satélite. Lua Nova.
Com sua vida despedaçando a sua frente, ele vivia um momento de crise. Decisões que queria evitar, palavras que queria fugir, coisas que não queria ver, fatos que queria mais certos e organizações que queria mais organizadas. Tudo numa vida só, num momento só. Não sabia para onde seguir andando. Não sabia como lidar com as dúvidas. Não sabia como ser forte. Não sabia como confiar. Pediu uma resposta. A Lua Nova.
Ela diminui sempre. Sempre alguma coisa acontece e a Lua entra em diminuição, em minguação, em depressão. Sempre. Mas, depois de sumir alguns dias, lá está ela. Pomposa. (Enorme.) Nova. Ela se renova. Em seu ciclo ela se renova e começa denovo, ainda que sua luz tenha se apagado.
Sua luz? A luz é, na verdade do Sol. Isto ele lembrava das aulas do colégio claramente. Pois bem: a Lua se renova, é feita Lua Nova, e ilumina o céu da noite mais uma vez com a luz do Sol. Luz, esta, que faz com que todos percebam a Lua.
Ele era como a Lua. Tinha de ser novo agora (pediu a renovação, a restauração a Deus), tinha de iluminar (se ofereceu como espelho do amor divino). Provavelmente um dia ele ia ficar cheio de si, mas não pararia de iluminar. Mas de tão cheio diminuiria – o ego faz estas coisas. Provavelmente sumiria e não iluminaria mais. Mas seria, por forças externas, renovado e reiluminado, podendo embelezar o céu novamente.
(De quem eu estava falando mesmo? Da Lua Nova, de uma personagem, ou de mim?)
E olhou para a Lua Nova, admirado pela perfeição do mundo e pela capacidade de renovação que lhe era permitido por intermédio de alguém bem maior que ele. Agradeceu. E foi feito novo. Novo homem novo.
3 - Março - 2009 at 3:47 am
A lua nova não aparece de manhã? Ou é a crescente? Enfim, não to conseguindo pensar mais por hj. Meu dia foi denso igual ao meu livro pra monografia… hehe
Lindo texto! Lembrei qdo olhava o céu de sp buscando as estrelas valentes. Mas acho q disso se lembraram todos né?!
Bjus
amo-te!