Cirque du Soleil vai voltar ao Brasil em 2009. Eu diagramei para o Toshio uma matéria sobre isto… Quando estava procurando as fotos foi que descobri: o espetáculo, Quidam, é o primeiro que eu assisti e o que garantiu minha paixão tanto pelo Cirque du Soleil, quanto por artes circenses no geral. Paixão que não acaba mais.
O circo inovador e contemporâneo faz 25 anos este ano. E eu não sei quando que eu comecei a ver os espetáculos na HBO. Nem lembro o que me encantou primeiro. Mas, para mim, o circo e toda sua aura misteriosa e mágica adquiriu um sentido absurdo no primeiro vídeo que vi.
Tinha ido ao circo quando criança, sim, mas nada me encantou tanto quanto esses espetáculos. Os palhaços são clowns, outro conceito, e bem mais sutis. Mágica? A mágica se torna em performances surpreendentes. Não preciso de truques para gostar, mas preciso de algo impossível. Artistas que parecem não ter osso, outros parecem voar, outros tem mais delicadeza do que força, mas podem aguentar todo peso do mundo. Alguns ainda se parecem com máquinas, porque para mim um ser humano não pensa tão rapidamente. A magia, naquela mistura de circo com teatro e música, se tornou tudo o que acontece no palco. Encantador.
Eu quero essa vida de circo para mim. Sei que são horas de treino e muita dor. Sei que é um esforço enorme, sem contar com o preparo de maquiagem (que eu não gosto) e a pressão de não poder errar nadinha. Mas fazer tudo aquilo, com aquela doçura e beleza, e fazer parecer impossível mas fácil, é compensador. Eu queria poder escolher esta vida para mim.
Mas não posso. Por que? Simples, não tenho esta escolha. Fiz ginástica olímpica e rítmica quando pequena, mas pouco evolui (claro, era de graça, ninguém se importava se eu queria seguir carreira ou não). Depois fiz vários esportes diferentes (tênis, futebol, hand, natação…). Já passada a fase de mudança de corpo, fui fazer ioga e ballet. Mas aquela força, aquela elasticidade, e aquela habilidade que eu tinha quando pequena e que eu poderia manter e usar para fazer circo (leia-se: acrobacias aéreas, como tecido) foi-se embora. Posso até me esforçar, mas já se foi o tempo em que eu poderia escolher entre esta vida ou a vida circense. Agora só pode se tornar em hobby. Triste, para mim.
Ainda assim o palco me encanta. O circo me encanta. Essa magia toda. Não dá pra escoder tamanho encanto e tamanha admiração. Não dá pra fingir que não tenho este sonho enorme dentro de mim. Impossível, porém persistente. E o sonho continua…