Fui cortar o cabelo (de vez em quando é necessário para me sentir mais nova, refresh…tipo um refresco de mim mesma). Mas não consegui largar a mania: corte diferente, olhar atento a todos.

Uma jovem tingia o cabelo de uma turista, americana, provavelmente. Os próprios cabelos da moça eram artificiais. Nas pontas as suaves e famosas mechas californianas que caiam perfeitamente nos falsos cachos. A falsidade soava a perfeição, leveza e beleza (como é estranho associarmos perfeição a falsidades). Trabalhar em um salão de beleza deve exigir um cuidado maior de suas próprias mechas.

Mas a japa, outra trabalhadora do local, não resiste a sua personalidade, não cuida muito bem do seu cabelo. Ainda assim a artificialidade toma conta dela. Lavados normalmente e secos normalmente, os cabelos tem suas pontas tingidas de azul. Sua excentricidade apavora alguns e conquista a simpatia de outros. Corajosa.

O cabeleireiro não é gay, ao contrário do que todos acham. E corta muito bem. Não faz sucesso por que trabalhava com o pai, mas depois de voar sua vida profissional esta levantando aos poucos. Não tem trejeitos, nem chiliques. É heterossexual e casado, mas corta muito bem e bem modernamente.

Uma senhora encaixa no padrão “perua”. Ela dá a impressão de realmente querer que todos vejam: seu cabelo é tingido. Loiro bem falso, um amarelo quase laranja. E as sobrancelhas bem pretas, finas e pretas. As rugas ficam exaltadas com a grande diferença de cor. O lápis no olho é muito forte, ressalta a olheira e a bolsa em baixo do olhar superior. Não é bonita, mas crê que é. Não tem personalidade, mas finge ter. É o estereótipo orgulhoso de assim ser enquadrado. Sai sem agradecer.

Moças com bons cabelos, simpáticas e inesperadas, um profissional fora do padrão e uma senhora dentro do padrão. Os salões de belezas são centros de personalidades diferenciadas, estranhas, fortes e fracas. E toda mulher passa por lá como um ritual sem olhar nas pessoas importantes que tem lá dentro reparando seus detalhes. Sou tão anormal assim por ser tão observadora?

Ah, e cortei curto, de novo.