Fui cortar o cabelo (de vez em quando é necessário para me sentir mais nova, refresh…tipo um refresco de mim mesma). Mas não consegui largar a mania: corte diferente, olhar atento a todos.
Uma jovem tingia o cabelo de uma turista, americana, provavelmente. Os próprios cabelos da moça eram artificiais. Nas pontas as suaves e famosas mechas californianas que caiam perfeitamente nos falsos cachos. A falsidade soava a perfeição, leveza e beleza (como é estranho associarmos perfeição a falsidades). Trabalhar em um salão de beleza deve exigir um cuidado maior de suas próprias mechas.
Mas a japa, outra trabalhadora do local, não resiste a sua personalidade, não cuida muito bem do seu cabelo. Ainda assim a artificialidade toma conta dela. Lavados normalmente e secos normalmente, os cabelos tem suas pontas tingidas de azul. Sua excentricidade apavora alguns e conquista a simpatia de outros. Corajosa.
O cabeleireiro não é gay, ao contrário do que todos acham. E corta muito bem. Não faz sucesso por que trabalhava com o pai, mas depois de voar sua vida profissional esta levantando aos poucos. Não tem trejeitos, nem chiliques. É heterossexual e casado, mas corta muito bem e bem modernamente.
Uma senhora encaixa no padrão “perua”. Ela dá a impressão de realmente querer que todos vejam: seu cabelo é tingido. Loiro bem falso, um amarelo quase laranja. E as sobrancelhas bem pretas, finas e pretas. As rugas ficam exaltadas com a grande diferença de cor. O lápis no olho é muito forte, ressalta a olheira e a bolsa em baixo do olhar superior. Não é bonita, mas crê que é. Não tem personalidade, mas finge ter. É o estereótipo orgulhoso de assim ser enquadrado. Sai sem agradecer.
Moças com bons cabelos, simpáticas e inesperadas, um profissional fora do padrão e uma senhora dentro do padrão. Os salões de belezas são centros de personalidades diferenciadas, estranhas, fortes e fracas. E toda mulher passa por lá como um ritual sem olhar nas pessoas importantes que tem lá dentro reparando seus detalhes. Sou tão anormal assim por ser tão observadora?
Ah, e cortei curto, de novo.
16 - Maio - 2009 at 3:48 pm
Você cortou no Soho da brigadeiro? Parece lá ;P
18 - Maio - 2009 at 8:07 pm
“Sou tão anormal assim por ser tão observadora?”
Não… na verdade vc não é anormal.
Não por causa disso =D
22 - Maio - 2009 at 6:53 pm
26 - Maio - 2009 at 4:28 pm
Isso me lembra na verdade uma discussão que estava tendo a respeito dos espaços públicos. Acho… Na verdade tenho quase certeza, há uma cultura de negação desses espaços. Isso leva a um isolamento dos olhares, pouco a pouco. “Saio sem agradecer, não olho para ninguém, não quero me comunicar. Se eu quiser conversar, entro no MSN e vejo meu Orkut“.
27 - Maio - 2009 at 11:56 am
Curto de novo? Obrigada, assim sinto que o meu ta longo hehehe
luv iu pulguinha!