Cirque du Soleil vai voltar ao Brasil em 2009. Eu diagramei para o Toshio uma matéria sobre isto… Quando estava procurando as fotos foi que descobri: o espetáculo, Quidam, é o primeiro que eu assisti e o que garantiu minha paixão tanto pelo Cirque du Soleil, quanto por artes circenses no geral. Paixão que não acaba mais.

O circo inovador e contemporâneo faz 25 anos este ano. E eu não sei quando que eu comecei a ver os espetáculos na HBO. Nem lembro o que me encantou primeiro. Mas, para mim, o circo e toda sua aura misteriosa e mágica adquiriu um sentido absurdo no primeiro vídeo que vi.

Tinha ido ao circo quando criança, sim, mas nada me encantou tanto quanto esses espetáculos. Os palhaços são clowns, outro conceito, e bem mais sutis. Mágica? A mágica se torna em performances surpreendentes. Não preciso de truques para gostar, mas preciso de algo impossível. Artistas que parecem não ter osso, outros parecem voar, outros tem mais delicadeza do que força, mas podem aguentar todo peso do mundo. Alguns ainda se parecem com máquinas, porque para mim um ser humano não pensa tão rapidamente. A magia, naquela mistura de circo com teatro e música, se tornou tudo o que acontece no palco. Encantador.

Eu quero essa vida de circo para mim. Sei que são horas de treino e muita dor. Sei que é um esforço enorme, sem contar com o preparo de maquiagem (que eu não gosto) e a pressão de não poder errar nadinha. Mas fazer tudo aquilo, com aquela doçura e beleza, e fazer parecer impossível mas fácil, é compensador. Eu queria poder escolher esta vida para mim.

Mas não posso. Por que? Simples, não tenho esta escolha. Fiz ginástica olímpica e rítmica quando pequena, mas pouco evolui (claro, era de graça, ninguém se importava se eu queria seguir carreira ou não). Depois fiz vários esportes diferentes (tênis, futebol, hand, natação…). Já passada a fase de mudança de corpo, fui fazer ioga e ballet. Mas aquela força, aquela elasticidade, e aquela habilidade que eu tinha quando pequena e que eu poderia manter e usar para fazer circo (leia-se: acrobacias aéreas, como tecido) foi-se embora. Posso até me esforçar, mas já se foi o tempo em que eu poderia escolher entre esta vida ou a vida circense. Agora só pode se tornar em hobby. Triste, para mim.

Ainda assim o palco me encanta. O circo me encanta. Essa magia toda. Não dá pra escoder tamanho encanto e tamanha admiração. Não dá pra fingir que não tenho este sonho enorme dentro de mim. Impossível, porém persistente. E o sonho continua…

Ontem eu estava olhando para o céu e comecei a pensar. Este é o efeito da lua em mim, ela me faz pensar, sempre. Sempre não, desde um certo ano, na verdade. Então eu comencei a pensar “desde sempre eu olho a lua assim?” Eu pensava que era desde os meus 12, 11 no máximo. Mas daí eu comecei a pensar de verdade e acho que foi desde os meus nove anos. WOW, isso quer dizer que faz exatamente dez anos.

Foi em uma das Páscoas que eu passava em Petrópolis. Mais especificamente na casa luterana de Araras, um bairro lá. Era a reunião anual da ABP, e até meus 16 anos passei cada Páscoa lá. Foi a infância feliz, os amigos da adolescência, e a descoberta religiosa.

Em uma destas Páscoas eu me peguei olhando para a lua. MEU! Eu amo a lua. E lua cheia de Páscoa é a coisa mais linda… E, olhando para aquela lua, naquela época do ano tão significativa, eu simplesmente entendi. Tive certeza. Abri meus olhos. Eu vi a verdade. Passei a ter fé.

Fazem exatos dez anos desde que eu acredito nEle.

Foi tudo tão claro, como a lua de Páscoa. Não há como explicar o que aconteceu… quem nunca viveu, nunca vai saber como é olhar para a prova, ter certeza certificada pelos seus próprios olhos. Seus próprios olhos.

 

 

A lua, a páscoa e Deus. E uma vida inteira indo na contramão do que ela tinha feito até então. Oh my God! Literalmente…

combinado?

combinado?

Andei recebendo comentários (que não aceitei pela [falta de] educação contida neles) reclamando de coisas bobas deste humilde blog. O mais estranho foi no “Pré-Pulga”, onde coloco coisas que publiquei antes desse wordpress: a garota, de oito anos, disse que não queria saber de poesias, mas de “nós”. Querida… vá ao About (lá em cima, ó)!

Reclamações mais consistentes como estas me fazem melhorar o “a Pulga”, viu amigos? Por isso, estamos aí para qualquer correção ou desentendimento. Só não aceito mais comentários mal-educados no post da Playboy… minha opinião é só uma opinião! Não vou matar ninguém que pousou nua, acreditem! (ó…)

Desabafos a parte, quero lembrar o objetivo deste blog: divagações. Da minha parte, não dos leitores, oras! hehehe… Brincadeira, divaguem o quanto quiser, desde que não me odeiem ou ataquem sem me conhecer! ;)

Não gostou? Comment!

Fazendo duas faculdades ninguém consegue respirar direito… Eu consegui por muito tempo, por sinal, agora precisava descansar. Fiquem avisados: não sei se fiz a coisa certa, mas tranquei meu curso de Letras (Inglês e Português) na USP. Cidade Universitária que vai fazer uma puta falta na minha vida, e que fez uma enorme diferença nela até agora. Eu vou voltar, já está decidido, mas o tenso é pensar nas consequencias… Algumas destas, por sinal, que pesaram na decisão. Embora muitos disseram que eu não deveria pensar nisto, não há como evitar, a melhor qualidade da USP será a que eu mais vou sentir falta e foi a que mais atrapalhou minha decisão. Meus amigos uspianos.

Nos primeiros dias de aula, ainda bixos, não entendíamos o que eram aquelas siglas doidas. EL, IEL, IEC e IELP. Esta última, Introdução aos Estudos da Língua Portuguesa, era a mais simples e inútil de todas, (minha opinião). A professora, que eu não vou mencionar seu nome por respeito, parecia aquelas tias da 3a séria (nossa, hoje em dia já é “quarto ano”). A aula era tediosa e até os alunos mais nerds e estranhos abandonavam-na ao assinarem a lista. Às vezes até a professora abandonava-a.

No meio da Letras as pessoas são variadíssimas. Você encontra tudo quanto é tipo de gente lá. Dos mais nerds aos mais boêmios. Dos mais intelectuais aos mais burros. Dos mais estranhos aos simplesmente normais. Há tantos estudantes que fica difícil arranjar um bom grupo de amigos lá. E é tanta gente estranha mesmo, acreditem. E nesse meio eu tive a sorte de, durante uma das aulas de IELP, encontrar o único grupo de pessoas que poderiam chegar ao patamar de bons amigos. O interessante é que aquelas outras pessoas que não estavam neste grupo foram se reunindo nos outros anos e no quarto semestre eu já conhecia todos os estudantes decentes do meu ano da FFLCH. Na minha opinião, é claro.

The Clock, 2007Enfim, com características semelhantes a filmes de amigos pops e seriados a la Friends nos reunimos, eu e meus bons amigos da Letras. E mesmo com os meus companheiros de outros lugares acho que eles foram os que mais me ensinaram sobre amizade e seus valores.

A amizade que aprendi por lá é uma amizade integral. Somos amigos em dias felizes, dias monótonos, dias tristes e dias de greve. Acompanhamos os outros em cada momento, alto ou baixo, da vida. E conseguimos, juntos, nos alegrar sempre. Somos amigos em todo tempo da vida, até nos estudos, nos trabalhos, nos desesperos e nas filas da Seção de Alunos. Somos amigos mesmo discordando em questões de política, fé, preferências, sexualidade, beleza, áreas linguísticas, música e literatura. Aliás, discordamos de muita coisa, mas sempre achamos um detalhe para concordar. Somos amigos mesmo quando concordamos e, assim, o assunto acaba. Somos amigos mesmo com uma cidade, um oceano ou uma vida inteira nos separando. Somos amigos no começo e no fim de todas as fases da vida.

O mais interessante é que nós, juntos, conseguimos ultrapassar as barreiras impostas pelas qualidades e defeitos (ou simplesmente costumes) de nós mesmos. Um detalhe que muitos amigos meus de outros lugares deixam escapar e, muitas vezes, pode minar uma amizade é extremamente valorizado por eles. Sou tagarela, sou muito sincera, e sou hiperativa. O que estes amigos me ensinaram em relação a isto? Eles sabem que podem me interromper a qualquer momento, sabem me interromper e sabem que, para conversar comigo, é preciso fazer isto. Interromper-me virou uma característica para nossa conversa ser… normal. E eles fazem isto com toda naturalidade do mundo. Também sabem relevar o que falo e entender que a sinceridade está exagerada. Sabem diminuir a carga das minhas falas para entender o que quero significar… já que eu sou crua e nua no que tenho a declarar. Também sabem ser calmos ou se animar com minha hiperatividade, acompanhando sempre o meu humor ou mudando-o naturalmente caso ele simplesmente não seja apropriado.

Enquanto milhões de colegas, companheiros e amigos meus se aborrecem, irritam, acham falsidade e julgam essas minhas atitudes, meus amigos uspianos tentam entender e se adaptam, fazendo de nossa convivência coesa e plena. Isso que é amizade pura e verdadeira.

Mesmo podendo não estudar mais com eles, não ir ao CA mais com eles, não passear pelo campus e nem pegar trânsito na Rebouças com sete pessoas dentro de um Celta… eu sei que ainda haverá esta mesma amizade. Choro, mesmo, pelo que posso perder, mas a amizade eu sei que não vai morrer. Haverá Vanillas, The Clocks e outros dias para manter isso. Haverá scraps, MSN talks, celulares. Haverá, apesar de tudo, amizade.

Obrigado, amigos, vcs fizeram valer a pena cada segundo. Estou morrendo de saudades…

(obs: não estou desprezando o valor de outras amizades, mas somente destacando estas. não leiam besteiras como estas nas entrelinhas, leiam somente amor.)

Havia tantos assuntos anotados para sentar e escrever no papel. Dividir com os amigos, com os desconhecidos, com seu amor. Dividir com o mundo, assuntos dispersos, inimportantes e de extrema essencialidade. Tantos assuntos. Mas cansado de mágoas, esqueceu cada um dos assuntos. Não queria mais as lágrimas que eram devidas àquele momento. Foi olhar o céu – um hobby tão admirado por outros que mal sabiam que ele nada entendia de lua e estrelas. Mas era algo que gostava de fazer. O mundo parecia mais palpável. Mais… dispensável. E tudo parecia maior e mais significante fora dali. Olhar o céu a noite era uma forma de se contextualizar em sua vida sem contexto.

Poluição era comum – estava acostumado com no máximo 7 estrelinhas. Fortes que, apesar de toda maldade humana contra a natureza, cruzavam a barreira do erro e apareciam no céu da metrópole. Algumas estrelinhas de tamanho imensurável pelo simples observador. As nuvens eram esperadas. Sempre que queria ver o céu, o céu estava coberto. Era como maldição, mas parecia somente um detalhe a parte, costume do céu naquelas horas. Mania.

Aguardava seus dois companheiros – poluição e nuvem – e também as estrelas campeãs. Abriu a janela. Nenhuma estrela. Nenhuma Nuvem. Muita poluição. Uma lua nova.

De repente tudo se fez mais claro do que a luz do Sol. A Lua fez mais significado do que tinha feito anos antes para sua vida tão pequena diante da imensidão de um simples satélite. Lua Nova.

Com sua vida despedaçando a sua frente, ele vivia um momento de crise. Decisões que queria evitar, palavras que queria fugir, coisas que não queria ver, fatos que queria mais certos e organizações que queria mais organizadas. Tudo numa vida só, num momento só. Não sabia para onde seguir andando. Não sabia como lidar com as dúvidas. Não sabia como ser forte. Não sabia como confiar. Pediu uma resposta. A Lua Nova.

Ela diminui sempre. Sempre alguma coisa acontece e a Lua entra em diminuição, em minguação, em depressão. Sempre. Mas, depois de sumir alguns dias, lá está ela. Pomposa. (Enorme.) Nova. Ela se renova. Em seu ciclo ela se renova e começa denovo, ainda que sua luz tenha se apagado.

Sua luz? A luz é, na verdade do Sol. Isto ele lembrava das aulas do colégio claramente. Pois bem: a Lua se renova, é feita Lua Nova, e ilumina o céu da noite mais uma vez com a luz do Sol. Luz, esta, que faz com que todos percebam a Lua.

Ele era como a Lua. Tinha de ser novo agora (pediu a renovação, a restauração a Deus), tinha de iluminar (se ofereceu como espelho do amor divino). Provavelmente um dia ele ia ficar cheio de si, mas não pararia de iluminar. Mas de tão cheio diminuiria – o ego faz estas coisas. Provavelmente sumiria e não iluminaria mais. Mas seria, por forças externas, renovado e reiluminado, podendo embelezar o céu novamente.

(De quem eu estava falando mesmo? Da Lua Nova, de uma personagem, ou de mim?)

E olhou para a Lua Nova, admirado pela perfeição do mundo e pela capacidade de renovação que lhe era permitido por intermédio de alguém bem maior que ele. Agradeceu. E foi feito novo. Novo homem novo.

Um mês morando na Bahia. Morando, mesmo. Mas exatamente em Camaçari, próximo a Salvador, e depois na Federação, bairro soteropolitano (Congregação Batista lá no Alto da Bola, favela, digamos assim). Comi muito mal, tomei banho gelado e com pouquíssima água, dormi no chão com mais duas pessoas, voltei com milhares de picadas de insetos, um sotaque diferente e uma alma feliz. Mas a pergunta não quer calar: que raios você foi fazer lá, Jessica?

Bom, para responder vou ter de comentar mais uma vez (com certeza já devo ter falado pra você, mas todo mundo sempre esquece) que participo de um movimento estudantil diferente. É a ABU, ou ABUB formalmente: Aliança Bíblica Universitária. É um bando de cristãos de tudo (quando eu digo tudo, não meça a dimensão) quanto é tipo (do cristão underground punk, passando pelo neopentecostal e tradicionais, até católicos). Essa gente tão diferente compartilha de algo muito igual: a mesma fé, o mesmo Deus e a mesma Bíblia. Então nos encontramos nos campi de todo o mundo (por volta de 150 países) para discutir a Bíblia, fazer estudos e, principalmente, apresentar essa palavra aos universitários que discordam da gente (leia-se não-cristãos). E realmente há ateus, agnósticos e até muçulmanos que freqüentam as reuniões. É muito legal, principalmente por levar em consideração muita coisas que religiosos ignoram por aí e por não querer se impor como igrejinha no campus, entende?

Enfim, a ABU tem diversas atividades para preparar os universitários para o trabalho dentro desse meio. Há o incentivo à literatura (ABU editora), os treinamentos locais e regionais, o Curso de Férias (uma semana todo mês de julho) e, por fim, o IPL, que era onde eu queria chagar desde o começo da explicação.

O IPL, Instituto de Preparação de Líderes, é onde os estudantes ficam um mês (sempre janeiro) em treinamento e, no final, também numa parte prática. Nesta, partem para uma comunidade carente ou uma igreja para trabalhar e colocar em prática tudo que aprenderam numa liderança que é baseada no conceito de serviço (o contrário do que prega o mundo pós-moderno). Enfim, e este ano na turma de 2009 lá estava eu!

Aprendi, cresci, fiz amigos para a vida inteira, ganhei um mentor, senti a ausência de algumas pessoas, me chateei com a situação atual do mundo, fiquei mais pertinho de Deus. Simplesmente perfeito. O que eu aprendi? Vou tentar resumir: auto-negação, confiança total em Deus, necessidade de nova perspectiva, desnecessidade de receber aprovação dos outros, oração, perder o medo, ter mais fé, aceitar completamente o amor divino que se humilha por mim, trabalhar com mais perseverança, colocar tudo nas mãos divinas, amor, amar, compartilhar, aprender mais, servir mais, etc. Foi tanta coisa que fica difícil lembrar.

Mas dizem que também passeei. É, um dia tivemos tempo para ir a Salvador para (somente, snif) ver o Farol da Barra, o pôr-do-sol atrás do elevador Lacerda, conhecer um pouco do Pelourinho e ver o show de Luzes que teve no Terreiro de Jesus. Pouca coisa e muito rápido, mas deu um gostinho de turismo e pude reencontrar um velho bom amigo (que me fez dar umas mordidas no Acarajé… só duas!). Outro dia tivemos em média uma hora para ir a uma praia perto do CENTRE (onde estávamos em Camaçari). Foi só o gostinho da Bahia para deixar saudades no dia seguinte. Na parte prática tive a sorte de ser hospedada por uma mulher maravilhosa (Obrigada Iramaia!) que me levou com o restante do grupo para conhecer Itapuã… a noite! Mas tudo isso não deve ter somado nem todas as horas possíveis para conhecer Salvador em um dia. Mas essas foram horas de descanso!

O normal era acordar todo dia cedo, chegar nas exposições Bíblicas, palestras, orações, EBIs, etc. no pré-tempo (5 minutos antes). Aprender pra caramba e, por uma hora, silêncio total para refletir. O horário livre era pouco, mas deu pra conhecer as pessoas, chegar mais pertinho e fazer amigos de alma para sempre! E não é que esses períodos também serviam pra aprendizados gigantes? Obrigado iplenses e obreiros: vocês foram minha família, meu sustento, por um mês. Vão fazer mais que falta, vão fazer uma mudança tremenda em minha vida!

Voltei não muito bem de saúde, mas minha alma estava em bom estado! Cresci tanto que parece que não caibo mais neste corpo! E o que não cabe acaba transbordando e espero que as pessoas a minha volta vejam esses aprendizados a absorvam também! Voltei muito mais preparada para lidar com o ministério estudantil dentro deste movimento e fora. Bem como mais preparada para lidar com a vida. Com a religião. Com a Igreja. Com os amigos. Com os relacionamentos. Com Deus. Voltei com a certeza de que aquele que me criou usou-me, ensinou-me, aperfeiçoou-me. Mas, fica o medo: será que eu vou esquecer tudo isso que aprendi? Voltar a ser como antes?

De volta a São Paulo as pessoas não sorriem, não ajudam as outras, não entendem esse amor tão grande e sem porque. De volta à vida real não pude evitar o susto, o medo e a infelicidade. Anseio pela perfeição, mas tenho de reconhecer a espera e as ações até lá. De volta a São Paulo, sou menina propaganda da ABU internacional (IFES) em uma carta e na página inicial…hahaha. [Se vc não me ver é por que já saiu do ar, não estranhe.] Mas, de volta a São Paulo, o que mais me assustou foi o descaso que as pessoas fazem com um preparo para o trabalho no movimento do tamanho que é o IPL. Querem saber como foi o meu, o que aprendi, o que fiz na favela pra ajudar, etc. e etc., mas não querem saber de ir no do ano que vem. O IPL nada mais é do que um momento de nossa vida em que Deus toca nela e diz: mude isto, melhore isto, invista nisto, faça isto, aprenda isto e VAI, e VOLTA. Por que ignoram estes momentos de treinamento?

Gostaria que vocês entendessem essa euforia toda. E que quem não acredita nessa minha fé, abra os olhos ao menos para ver e não criticar. E que quem não acha que cristãos devem fazer algo, procure agir mais no local que Deus te colocou (escola, universidade, trabalho, etc.). E que quem não acha que precisa de treinamento para agir, perceba que ainda somos humanos e pense nisso a tempo de se preparar para o ano que vem. Será que alguém entende?

Sentia saudades imensas na primeira semana, mas eram altamente suportáveis. A felicidade não se esbarrava nas esquinas do meu coração, mas a falta se fazia notável. Pude seguir meus dias como outros quaisquer, pude sorrir, ser feliz, cantar, gritar, beber, sair.

Mas depois o caso foi mudando. De repente senti uma necessidade enorme de ver nada mais além do seu rosto, para perceber – de verdade – que nada tinha sido sonho. Para não acordar, talvez. Com as vantagens tecnológicas pude tirar o atraso da memória e registrar um sorriso de alívio em minha mente.

Mas as coisas mudaram. Ver seu rosto, ouvir sua voz, não mais me agradavam. Queria tocar. Abraçar. Beijar. A insatisfação crescente tornou-se um cancer em minha felicidade e logo me vi derretida em lágrimas, esperando os dias passarem. As saudades fizeram sentido, pela primeira vez. E as lágrimas limparam meu olhar. Pude ver.

Ver o sentimento sincero, puro, do qual esperávamos brotar dúvidas e talvez um fim, mas vimos nascer a mais bela flor da certeza. Sinceramente certa. Certa enquanto eu respirar. Certa e prometida a ser verdadeira. Vi e, então, em um momento distante, descobri.

Descobri o amor, a tristeza, a saudade, o carinho. Descobri a dor de amar completamente e saber que esse amor gigante só é compreendido em parte. O sentimento não flui de mim, é divino, mas dentro de mim se direciona a ele. A ele, que fluimos tão bem juntos. Descobri que as coisas podem ser maiores, mais certas, concretas. A intangibilidade da certeza bem aqui, em minha mão. A escorregar entre meus dedos, percorrendo cada centímetro de pele, e grudando no meu ser como o único piche que permite a vida. Descobri ele.

Fui dormir com a mão no coração, esperando a destruição certa das saudades explosivas de dois amantes afastados. Mas prometi ser feliz, prometi poder ter calma, prometi sorrir e acordar todo dia disposta. E ainda por cima, sei que Deus vai transformar o restante nos 21 dias em que mais aprenderei em toda minha vida. Prometi, e cumprirei.

Na cama virei de um lado para o outro, sentido a falta de mais uma respiração. Tudo parecia vazio, ainda mais quando a lembrança do apertado é tão confortável. Demorei a entender que precisava dormir, e descansar. Tinha descoberto o mundo dentro de mim. Tinha descoberto outras coisas, no mesmo dia, como o amor sem porque de um tal de Deus. E, descobrindo isso, descobri que dentro de mim havia, já, uma reprodução deste sentimento que nada quer em troca e ama deliberadamente.

Na cama, não descansei. Senti a falta dele. O calor abafado pertubava cada vez mais e, irritada, joguei o lençol no chão. É muita coisa em uma só mente, precisava de ar.

Descoberta consegui dormir, acalmando dentro de mim o Pedro Álvares Cabral.

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SSA, BA. IPL 2009. volto em fevereiro, caros.

(editado e republicado completo)

No ano 2007 eu praticamente comecei esse blog no finalzinho, quando 2008 batia em minha porta. Fiz, por fim, uma postagem sobre o ano que se terminava, 2007, uma retrospectiva clássica. Este ano bem que faltou minha postagem analisadora de todo um ano (inútil, por sinal). Então agora que já começou o novo ano, vou fazer minha retrospectiva. Aviso, logo, que não será tão clássica e simples como a anterior.

Bom, janeiro… janeiro o caramba, o ano passado começou em dezembro. Em dezembro eu me preparava: “pô, vou fazer outra faculdade”. Achei legal. Pura inocência. Dezembro teve todo um clima de “ano que vem promete”, se bem que eu tinha um sentimento de “ano que vem não vai ser tranquilo…”, mas é óbvio que eu tentava não acreditar em mim. Janeiro pertenceu a dezembro, e foi tranquilo e bom. O ano, agitado como foi, começou em fevereiro, quando eu não consigo mais separar o resto por meses. Vamos por etapas e por assuntos.

Coração e Amizades: terminei com o ex logo no comecinho do ano. Embora ele não quis acreditar, terminei pelo simples sentimento de que não estava mais dando certo e que eu queria viver por mim mesma. Foi difícil e longo o processo de engolir que simplesmente acabou por acabar, sem nenhum motivo em especial (sabe a música “É preciso dizer adeus” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes? Então…). Foi muito bom: me redescobri. E, nessa caminhada de encontrar a mim mesma por mim mesma, acabei topando com ótimos amigos. Surgiram Deja vus, irmãozinhos, sustentaram-se amigos franceses, melões e melancias, todos os tipos de amigos apareceram para dizer para mim “você pode ser assim”. Em meio a esses amigos, mais tarde, descobri em um deles um ótimo amante. Coisas engraçadas (e boas) da vida. Ao longo do ano todos estes se fortaleceram, com a exceção de alguns que apareceram como grandes decepções já desabafadas por aqui. Mas ainda assim acho que poderia ter sido diferente: mais amizades, mais profundas, mais intimidades. Portanto no quesito coração, há seus problemas, mas está tudo muito bem!

Estudos: comecei bem, no embalo. Mas com tanta coisa surgindo acabei não tendo tempo pra muita outra coisa. Todos ao meu redor tiveram de se acostumar com o fator “Jessica – ocupada”. Dormi pouco (no máximo 4 horas por noite). Viajei muito (só umas 5 horas de transporte público por dia). Sonhei pouco. Estudei pouco, mas com tanta coisa pra estudar, tornou-se muito. Ao menos, passei em tudo! Mas ao preço de minha saúde, meu sono e minha felicidade completa. Tantas vezes chorei pelo simples não aguentar mais. Me esgotei, mas em tantos estudos a principal lição foi descobrir a força que eu pensei que não tinha e a não abusar mais dela. Vamos diminuir a marcha, né?

Trabalho: foi um ano profissional bem simples, comecei ainda no Band. Aliás não pude ter férias de verão por isso, só uma semaninha. E dentro do Departamento Cultural comecei a me cansar, mesmo. Daí surgiu a idéia da iniciação científica, que eu amei. Larguei o Band pela IC em literatura irlandesa e, com um projeto quase bom, eu desisti. O segundo semestre já demonstrava, em agosto, que eu não ia conseguir lidar com tudo isso. Mas então perdi meus sábados – só 8, na verdade – fotografando. Bem, na verdade não perdi. Ganhei experiência, graninha e algo que gosto de fazer. Foi bom, na verdade, melhor do que pensava que iria ser.

ABU: Gosto de qualificar a ABU no pacote de coisas que eu devo à Deus. E, além do mais, a ABU me proporcionou ótimos momentos, experiências, aprendizados e amigos. Comecei o ano pouco envolvida, só ajudando. Com o tempo entrei mais. Ajudei na primeira atividade, fui aos treinamentos, depois fui ao maravilhoso CF e voltei decidida e explicar a todos os outros ABUenses por que aquilo era tão importante. Não consegui convencer muitos – ninguém, na verdade. Mas eu entrei pro Grupo Base de São Paulo e daqui a pouco vou para o IPL entrar mais ainda nessa organização cujo único objetivo é gritar “olha aqui o que encontramos: o amor e a verdade”. É aquilo que acredito, de coração (entendam ou não)!

Futuro, 2009: Não sei.

(Pior que é verdade)

Contam algumas lendas (que eu não sei de onde vem) que aquelas pessoas que não gostam do Natal e ficam mau humoradas nesta época do ano recebem, alguma vez, a visita de três espíritos, todos com nomes muito criativos: o espírito do natal passado, o espírito do natal presente e o espírito do natal futuro. Faz alguns anos que eu não gosto do Natal e ando esperando pela visita destes espíritos.

Um enfeite de Natal escondido.

Um enfeite de Natal escondido.

Natal é horrível. Ainda mais quando tenho de passear pela Avenida Paulista tão iluminada, festejada e enfeitada que a noite até parece a Disney. Irritante. É decoração sem sentido, um conjunto de vários símbolos e, no fim, nada. O Natal acaba sendo sem o menor sentido. A data vem de uma celebração pagã, se não me engano da Europa central, que foi transformada, pela igreja Católica, numa festa de comemoração da encarnação divina, ou seja, do nascimento de Jesus. Numa certa época um bom homem (que nem sempre foi velhinho, acreditem se quiser) começou a entregar presentes (agora não lembro se era pelo espírito natalino, pelos presentes dos reis magos, ou por simples caridade), ele virou São Nicolau e depois Papai Noel (literalmente, Pai do Natal). Ou seja, as comemorações se embolaram e transformaram-se em algo que não significa muita coisa e é uma desculpa para cumprir falsidade e hipocrisia entre quase-amigos e família. Desculpa pra fingir que se é feliz. Por isso me irrito. Mas a irritação, na verdade, começou quando eu vi gente que não me conhecia mais e nem gostava muito de mim dando aquele abraço e aquele sorriso e aquele desejo com aquela falsidade… Natal!

Mas (aha! vocês estavam espirando a reviravolta e o “mas”, né?), este ano, eu acho que recebi a visita dos três espíritos. Embora o efeito só durará um ano e, aposto, ano que vem eu me irritarei mais uma vez, vale a pena registrar. A época começou e, pra variar, eu estava irritada. Mas veio meu primeiro espírito, que eu chamo de anjinho. Apesar de toda raiva, ver a “Pequena do Meu Coração” (miss Isabela) sorrir e ter os olhinhos brilhando frente a visitas (in)esperadas e a chegada do Natal consegue começar a degelar meu coração.

O segundo espírito é indigno do singular: veio no plural, e um plural de quase 500 pessoas. Dia 23 eu fui no maior albergue da América Latina, Oficina Boracea, servir numa ceia de Natal organizada pelo Rodrigo da ABU da Uninove. Foi maravilhoso. O local tem diversas pessoas que moram por lá – a maioria retirada das ruas: idosos, cadeirantes, deficientes mentais, médicos, advogados, estrangeiros. E ainda há aqueles que somente pernoitam no albergue. Inicialmente seu objetivo era abrigar catadores de papel das ruas, profissionalizá-los e formar cooperativas. Parece que a Oficina foi parcialmente abandonada e a nova administração, que esta tentando retomar algumas coisas, só assumiu a pouco mais de um ano. As doações que passam por lá fazem diferença (no caso, frutas, panetone, Bíblia e outras pequenas diferenças na ceia), mas o que realmente marcou para as várias pessoas foi o contato com um monte de jovem sorridente. Foi o aspecto de “gente nova no pedaço”, que foi lá só pra ver sorrisos e olhos brilhando. Estes espíritos do Natal se resumiram, para mim, na frase de um idoso cadeirante que, depois de comer, olhou pra cima e disse em alto e bom tom: “O-bri-ga-do Papai do Céu!!”. É, obrigado por nos enviar. Sorrisos realmente reconstroem. E foram tantas as bênçãos e os “Feliz Natal” rogados!

Por fim, o terceiro espírito do Natal se resume em três caracteres: H2O. Vô, Vó e Grannie choraram neste Natal, o que realmente me tocou. Lágrimas pra que? Derramadas por que? Por que estamos lá, os vários netos, ao lado deles, cultivando a família e o amor de Deus. Genes espalhados por gerações, que continuam em pé.

Tá bom, tá bom. De vez em quando o Natal realmente pode ser uma época especial! Mas, aviso: eu ainda não entendo e me irrito! *Feliz Natal!*

(?!)

Publiquei o seguinte texto no meu about do Orkut:

{new 08-09: deixo o ano acabar com a certeza de que poderia ter sido melhor. eu poderia ter feito menos, amado mais. amigos poderiam ter olhado mais pra mim, qdo sempre estive lá e poucos percebiam e qdo precisava e poucos estavam. guardo carinho (por tudo, por muitos), não guardo rancor. eu poderia ter olhado mais para alguns amigos, que estavam lá e eu não vi, nem cuidei. e que fique isto pro ano que vem: cultivar as amizades, para serem mais profundas e recíprocas, mas ter paz na vida e diminuir a aceleração cardíaca, antes que o médico me interne.}

Sim, é um desabafo bem público. Não sei quem entendeu, quem recebeu a mensagem. Sei que os únicos que não estão incluídos leram e comentaram… Quem realmente está dentro da reclamação com certeza ou não leu ou não quis se colocar aí, talvez porque pensassem que “não são meus amigos suficientemente” para estarem inclusos no desabafo.

Quando vão perceber que é exatamente esta a reclamação?

Tomei umas decições depois de muito me magoar este ano. Primeiro: é preciso manter as espectativas baixas. E eu juro que já ouvi isso em alguns lugares… As pessoas parecem que insistem em não se importar tanto com as outras quanto estas se importam com elas! Parece praga do mundo atual! É cada um por si, e vamos esquecer os outros. Ninguém quer confiar em ninguém, porque todos sabem que eles mesmos não são tão confiáveis. Mas também há casos de pessoas simplesmente magoadas demais que agora tem medo de amizades profundas, verdadeis, recíprocas e necessárias. No mundo moderno a necessidade é garantir a si mesmo. Quando vão perceber que isso não dá certo pra sempre?

Outra decisão: vou voltar a reclamar em alto e bom tom! Parei de fazer isso porque muitos estavam achando que eu era muito exigente, muito reclamona, muito chata. Mas, de que adianta não reclamar se todos acham que nunca magoam você enquanto pisam em cima? Vou berrar em alto e bom tom: “você esqueceu de um dia pro outro que tinha me chamado e me abandonou para aquela viagem combinada justo quando eu podia ir!”, “Você diz que me chama pra sair, mas só faz isso quando sem querer me vê pessoalmente, sem contato diário você esquece de mim!”, “Você diz que gosta da minha amizade, que eu ajudo muito, mas na hora da diversão me quer longe!”, “Você olha pra minha cara e não gosta do que vê, mas mente e diz que sim ou finge!”, “Você só me chama como acompanhante do meu namorado, não como amiga tua!”. Vocês não se importam comigo na totalidade, só quando precisam de um ombro amigo. Com poucas excessões.

Mais uma decisão: vou me esforçar pra eu mesma não ir contra o que reclamo. Porque, na verdade, o que estou falando não é que algumas das pessoas que eu considero amigas não me consideram como tal, mas digo que essas pessoas não me consideram o mesmo tanto que eu as considero e não me tratam da forma com que eu as trataria. É isso que quero: que percebam que eu tenho um sentimento de amizade para com elas, que eu as considero e, por isso, eu gostaria que agissem da forma com que eu faço em relação a elas. Mas, então, corro risco de fazer o mesmo erro (se é que já não o fiz ao longo de 2008). Juro que vou tentar não ser da forma com que eu mesmo abomino.

Desabafo público é contra meus próprios preceitos? É… mas de vezemquando, quando o mundo não pergunta, eu acho melhor gritar para que ele saiba.

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